"Meu contato com a tradição oral surgiu ainda na minha infância, a vivência que as profissões exercidas pelos meus pais, de feirante (mãe) e de caminhoneiro, açougueiro, mecânico (pai) permitiu desde cedo o contato com pessoas de todos os segmentos sociais, de todas as vivências e de muitos lugares do país, experiências que despertou em mim o desejo de ouvir as pessoas, especialmente aquelas mais velhas, aprendi a sentar e ouvir histórias por horas a fio, era muito mais que escutar, era aprender todas aquelas experiências, cresci com esse mesmo desejo, continuar ouvindo e aprenden
No dia 26 de setembro cheguei ao Rio Grande do Norte como quem busca um abraço de quem se quer bem. Na rodoviária me encontro com a mestra Griô Dodora, que me aguardava ansiosa por me conhecer. Peço a bênção a tão sabia anciã, e ela foi quem me conduziu até o meu desejando destino. Depois de duas horas e meia de viagem até a Cidade de Macau e trinta minutos de táxi até Pendências Cheguei ao Casarão de Oficio por volta das vinte e duas horas.
Corria o mês de julho do ano de 1997 quando jovens estudantes, alguns recém ingressos na universidade e outros concluindo o ensino médio, reuniram-se entre amigos e, tomados por uma ideologia utópica de mudar a realidade do nosso município (Pendências) tal como os jovens que nela vivem, resolveram criar um grupo cultural que passou a se chamar Jandu-Cari. Eram “filhos da terra”, curiosos e interessados nos acontecimentos que marcaram a história deste pequeno município, meio esquecido no interior nordestino.
Pendências era, para mim, um nome na lembrança... Ecos de boas lembranças do Pe. Zé Luiz que tanto amava esta cidade e a que sempre se referia com um especial carinho como se fosse um lugar mágico onde guardara os melhores dias da sua vida. Por isso é que, para mim, falar de Pendências era lembrar do Pe.