Entra em foco o Vale do Açu. No município de Pendências, a Fundação Félix Rodrigues realiza a partir desta quinta-feira (13) até o sábado (15) a 2ª Mostra de Arte Pendenciense.
O evento conta com oficinas, apresentações culturais e o lançamento do filme Três Mulheres de Pendências, produzido pela instituição na programação do Ponto de Cultura Casarão de Ofícios, com apoio do Ministério da Cultura (MinC).
A professora e coordenadora das atividades do Casarão dos Ofícios, Magnólia Morais, explica que o trabalho desempenhado na Fundação envolve a comunidade de Pendências e municípios da região do Vale do Açu, com educação ambiental, capacitação profissional e diversas atividades artístico-culturais.
"A gente está há dez anos com a Fundação Félix Rodrigues. Desde 2005, a instituição é ponto de cultura do Programa Cultura Viva, do MINC. A primeira mostra, realizada ano passado, registrou um público de cerca de 1.500 pessoas. Foi um sucesso. Conquistamos o respeito da comunidade porque somos comprometidos com ela", diz Magnólia Morais.
A instituição é o único Ponto de Cultura do Vale do Açu. No espaço do Casarão de Ofícios o destaque é a produção de papel artesanal com fibra da carnaúba e outras fibras vegetais.
Além disso, a comunidade tem a oportunidade de participar de atividades culturais de música, teatro, dança e tem acesso ao acervo bibliográfico do Espaço Cultural Manoel Rodrigues de Melo.
"Na música, funcionando desde o início de 2006, temos o Grupo de Flautas Sabiá, criado em parceria com o Instituto FAL. Atualmente, são 30 crianças que se dedicam à atividade, orientadas por Macelo Alexandre Borges, músico e regente. Participam do grupo crianças e jovens de Pendências, inclusive do Distrito de Pedrinhas. Essas crianças do Distrito sofrem com a dificuldade de transporte, o que nos leva, muitas vezes, a mandar buscá-las, alugando um carro para esse fim", conta a professora.
Magnólia ressalta que este ano, além das produções artístico-culturais, será exibido durante a semana de arte pendenciense o filme Três Mulheres de Pendências, no qual é trabalhado o registro da memória cultural da cidade a partir de três professoras do município, que sempre tiveram a preocupação com o desenvolvimento cultural da comunidade.
Com 30 minutos de duração, trata-se de uma produção com intenção claramente pedagógica. "Elas estão na terceira idade. Deram uma grande contribuição ao município. Temos que valorizar essas pessoas para que o trabalho que elas realizaram não caia no esquecimento. As novas gerações precisam conhecer os seus exemplos", comenta Magnólia Morais.
São três nomes que se confundem com a cultura e a educação do município. Sabina Pinheiro está, atualmente, com 96 anos. "Todos que foram seus alunos dizem que ela era muito dinâmica, com uma metodologia de ensino avançada para a época. Todos se sentem marcados por ela até hoje", afirma Magnólia. Maria das Dores Barbosa, mais conhecida como Dodora, 73, ainda hoje trabalha para preservar as manifestações culturais de sua comunidade, o distrito de Porto do Carão. Atualmente participa do Projeto Porto da Memória, que trabalha com Mestres e Griôs no Ponto de Cultura Casarão de Ofícios. Tereza Aranha, 78, “ainda hoje desenvolve um trabalho de valorização cultural da região do Vale do Açu, tendo uma grande preocupação com a revalorização e preservação da carnaúba. Através dela, foi possível desenvolver o projeto de produção de papel artesanal com a fibra da carnaúba, executado pela Fundação Félix Rodrigues. Foi ela, também, a idealizadora do Espaço Cultural Manoel Rodrigues de Melo." Além disso, Tereza foi gestora da educação municipal no período 1998-2001, afirma Magnólia.
Por Vinícius Menna
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