DISCURSO DO PROF. CARLOS AUGUSTO NA SOLENIDADE DE ENTREGA DA PREMIAÇÃO DO CONCURSO DE REDAÇÃO

DISCURSO PROFERIDO PELO PROF. CARLOS AUGUSTO NA SOLENIDADE DE ENTREGA DA PREMIAÇÃO AOS ALUNOS DO CONCURSO DE REDAÇÃO "MANOEL RODRIGUES DE MELO: O CRONISTA DA VÁRZEA DO AÇU"

Excelentíssima Senhora Socorro Melo, Presidenta da Fundação Félix Rodrigues, Excelentíssimo Senhor Geraldo Queiroz, membro desta Fundação, amigos Magnólia, Raquel, Clepson, senhores membros da comissão julgadora aqui presentes, colegas diretores de escolas, professores, minhas senhoras, meus senhores.

Em primeiro lugar quero agradecer a oportunidade dada por esta Fundação. Este terceiro lugar alcançado pela Escola Estadual Alcides Wanderley equivale para nós a um primeiro lugar.

Agradecer a professora Ana Karina orientadora da aluna vencedora, bem como ao professor Benedito que também leciona na citada escola e que com certeza também contribuiu para o sucesso de todos os alunos no concurso.

Agradecer a supervisora Rita pelo trabalho e incentivo para o sucesso do concurso, parabenizar à aluna Jailma de Oliveira Dantas por sua classificação e à Fundação Félix Rodrigues pela grande iniciativa.

Nesta noite, sinto-me bastante lisonjeado por ver uma aluna da Escola Estadual Alcides Wanderley ser premiada num concurso de redação de nível regional.

A escola tem sido sempre convidada a participar de vários concursos de redação sejam de nível estadual, nacional e até internacional, porém pouco tem participado. A nossa escola participa ativamente apenas do concurso anual de redações da Petrobrás; seus alunos têm sempre estado entre as 100 melhores redações classificadas pela Petrobrás e no ano posterior são publicadas pela empresa. Mas nunca chegou a obter um terceiro lugar.

O concurso de redação "Manoel Rodrigues de Melo: O Cronista da Várzea do Açu" me empolgou muito.

Neste ano de 2007, preterimos o concurso da Petrobrás e fincamos pé no concurso promovido pela Fundação Félix Rodrigues.
E porque todo este interesse deste humilde diretor em incentivar os jovens para este concurso? É que sendo um homem das letras por formação acadêmica e também por convicção um leitor apaixonado pela Literatura Brasileira, de modo especial a Literatura Regionalista Nordestina.

Hoje vejo uma geração sem nada ler, sem pensar, num mundo cibernético, multimidiático, mas sem raízes, sem conhecimento histórico. E não existe presente sem passado, nem futuro sem presente.

É fundamental e preciso incentivar os nossos jovens a conhecer os nossos escritores, nossa história, nossos antepassados.
A Fundação Félix Rodrigues com este concurso deu seu pontapé inicial. Hoje pode-se dizer que uma pequena parcela do Vale do Açu já sabe quem foi Manoel Rodrigues de Melo.

Manoel Rodrigues de Melo com seus livros narra todo o passado da várzea e avança com a visão futurística. Tive a oportunidade de ler apenas três livros seus: Várzea do Açu, Cavalo de Pau e Terras de Camundá. Porém, estas três obras já me levaram a entender a grande contribuição sociológica que ele deu para o Vale do Açu.

Sugiro que cada ano um escritor da região ou mesmo uma obra seja esmiuçada, através da leitura, e que este tipo de concurso continue para que pelo menos uma parte dos novos estudantes não pense que o mundo sempre foi assim com essa forma de poder econômico fazendo-lhes engolir o lixo cultural que hoje permeia nossa sociedade. Que saibam que mesmo sem computador, Internet, celular, houve homens que pensaram e com uma simples pena ou a caneta escreveram uma história, construíram com sacrifício uma grande herança, que é esta: a cultura.

É preciso conhecer não só Rodrigues de Melo, mas nossa geração precisa de incentivo para conhecer outros nomes como: Auta de Souza, Renato Caldas, Sinhazinha Wanderley, Maria Eugênia Montenegro, Onofre Lopes e outros mais contemporâneos como Gilberto Freire de Melo, Crispiniano Neto, Antonio Francisco, Nei Leandro de Castro, Deífilo Gurgel, Tarcísio Gurgel. Nossos jovens não sabem quem foram e nem quem são.

Hoje, a escola, como toda a educação está em decadência e não mostra sequer nem os clássicos nem os grandes contemporâneos regionalistas como José Lins do Rego (que fez rasgados elogios a Manoel Rodrigues de Melo), Graciliano Ramos, Jorge Amado, Manoel Bandeira, Ariano Suassuna, Guimarães Rosa e Patativa do Assaré. Nossos alunos quase não lêem.

É louvável e absolutamente necessário fazer um resgate da nossa história, dos nossos escritores e isto esta Fundação esta fazendo.
Essa a razão do meu interesse em fazer os nossos jovens conhecer um pouco da nossa terra.

Não se pode deixar que essa geração pense que não temos passado, que não tivemos luta, que não tivemos tradições, que não se brincava. Não se pode deixá-los pensar que nossos antepassados não tiveram sonhos.

A história é o registro da evolução do homem no tempo, levando aos jovens a lembrança do que foram as gerações que souberam cultivar os seus bens. Não apenas materiais, mas os bens mais sagrados e importantes da vida: os bens imateriais.


Carlos Augusto Pereira da Silva

Carnaubais, 13 de dezembro de 2007.