Falando sobre Manoel Rodrigues de Melo, o escritor Raimundo Nonato, seu colega na Academia Norte-rio-grandense de Letras, assim o descreveu: Nilo Pereira chamou-o de o profeta de olhos verdes.Câmara Cascudo apelidou-o Jagunço da Várzea do Açu. Veríssimo de Melo figurou-o numa imagem do tempo sem medida, afirmando: o homem que anda sem relógio. Eu batizei-o, modestamente, de o feiticeiro.
É este intelectual, natural do Vale do Açu, que dá nome ao Espaço Cultural criado pela Fundação Félix Rodrigues em dezembro de 1998.
"Badel", como era chamado em sua terra, nasceu em 07 de julho de 1907, na Fazenda Queimado, localizada no atual município de Pendências.
Sua vida foi dedicada ao trabalho intelectual, sendo autor de vários livros e estudos sobre a região. Dentre os livros, destacam-se: Várzea do Açu (1940), Patriarcas e Carreiros (1944), Cavalo de Pau (1953), Chico Caboclo e outros poemas (1957), Terras de Camundá (1972), Dicionário da Imprensa no Rio Grande do Norte/1909-1987 (1987) e Memória do Livro Potiguar (1994).
Foi Presidente da Academia Norte-rio-grandense de Letras por mais de 20 anos e recebeu da Universidade Federal do Rio Grande do Norte o título de Doutor Honoris Causa, conferido no Reitorado do professor Geraldo Queiroz, em maio de 1995. O seu falecimento ocorreu no dia 29 de fevereiro de 1996.
O Espaço Cultural Manoel Rodrigues de Melo mantém um acervo bibliográfico com cerca de mil títulos e documentos significativos sobre a história social do Vale do Açu e região salineira de Macau, aberto a estudantes dos três níveis de ensino, pesquisadores e interessados em geral.
Nesse acervo podem ser encontrados exemplares do jornal A Lanterna, publicado na então Vila de Independência (depois Vila e município de Pendências) em 1928, da Revista Cinquentenário, publicada no ano de 1945 em comemoração aos 50 anos da capela de São João Batista de Pendências, e o processo de emancipação política do município, doado à Fundação Félix Rodrigues pelo historiador Hélio Dantas, autor do projeto de lei de 1953, quando exercia o cargo de deputado estadual na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte. Compõem ainda o acervo artigos de sua autoria sobre o tema e o Memorial de Pendências, firmado pelos habitantes da vila reivindicando a separação do município de Macau e publicado na Revista BANDO em maio de 1954.
Na documentação fotográfica, encontram-se álbuns de antigas famílias do município e o registro de manifestações da cultura popular da região, como o antigo e tradicional Boi de Reis de Porto do Carão, conduzido por João Neblina.
Manoel Rodrigues de Melo representa, no Vale do Açu, a interação entre a cultura erudita e a cultura popular. Uma e outra fazem parte da sua vida e da sua obra. Ambas inspiraram a criação do Espaço que leva seu nome.
