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A partir do ano 2000, por iniciativa da Profa. Tereza Aranha, coordenadora de um projeto de qualificação profissional na Fundação Félix Rodrigues, teve início em Pendências um processo de transferência de tecnologia para a produção de papel artesanal a partir da folha da carnaúba. Para desenvolvimento e sistematização dessa tecnologia, alguns departamentos da UFRN participaram da experiência. Inicialmente, o Departamento de Artes. Depois, o Departamento de Química, através do seu Programa de Pós Graduação, que teve como objeto de estudo para a dissertação de mestrado de um dos seus alunos o desenvolvimento das técnicas de elaboração do papel.
O grupo era constituído por 20 jovens, que passaram a ser capacitados através de cursos e oficinas. Experimentando, colocando a mão na massa, eles foram dominando as técnicas de produção. Além de alertar a população para o desmatamento do carnaubal sem nenhum critério e controle ambiental, a Fundação Félix Rodrigues objetivava encontrar novas formas de ocupação para jovens de Pendências e municípios da região. Contava ainda com a perspectiva de possibilitar, com a experiência, a geração de renda para pequenos produtores.
Em setembro de 2003, foi convidada e veio a Pendências a artista plástica Miriam Pires, de Goiânia, que estava cursando Doutorado na Espanha. Ela ministrou para o grupo o Curso Avançado de Papel Artesanal ? Arte e Ecologia. A partir daí, o grupo passou a trabalhar, além da carnaúba, com outras fibras vegetais: bananeira, abacaxi, junco, etc. Nesse mesmo ano, a Fundação Félix Rodrigues inscreveu a experiência como concorrente ao Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, sendo a única do Rio Grande do Norte selecionada e certificada como tecnologia social em 2003.
Além do papel se aplicar muito bem para trabalhos com artes gráficas, o grupo vem recebendo encomendas de artistas plásticos e arquitetos, para confecção de luminárias e outros objetos de decoração.
Ao longo desse período, a experiência contou com o apoio do SINE-RN, Associação de Apoio às Comunidades do Campo do RN, PETROBRAS e SEBRAE-RN.
Em 2006, com a aprovação do projeto Casarão de Ofícios pelo Ministério da Cultura, a Fundação Félix Rodrigues passa a ser um Ponto de Cultura no estado do Rio Grande do Norte. O trabalho é revigorado e o Núcleo de Produção de Papel fortalecido. Com o apoio do SEBRAE, além da orientação para o aproveitamento do papel como matéria prima de novos produtos artesanais, foi desenvolvido um trabalho de organização do grupo visando à comercialização dos seus produtos.